A educação no agronegócio atravessa uma era de mudanças estruturais, impulsionada pela digitalização e pelo advento de novas ferramentas tecnológicas. Neste episódio do Agro Resenha Podcast, Daniel Sonoda compartilha a trajetória do Pecege, ecossistema educacional que se tornou referência ao unir a tradição da Esalq/USP com o dinamismo do mercado. Sonoda narra como a instituição liderou a transição do ensino presencial para o modelo a distância (EAD), um movimento que foi drasticamente acelerado pela pandemia e que redefiniu o acesso ao conhecimento especializado no setor.
Pioneirismo tecnológico: da IA de 2016 à Revolução Generativa
O Pecege destaca-se pelo uso antecipado da tecnologia em seus processos educacionais. Daniel Sonoda revela que a instituição já utilizava Inteligência Artificial (IA) em 2016, inicialmente aplicada em tarefas como a geração automática de legendas para democratizar o conteúdo. Com a chegada da IA generativa, o impacto na educação atual tornou-se ainda mais profundo, permitindo uma personalização do aprendizado e uma agilidade inédita na produção de materiais didáticos.
Apesar desse avanço, o executivo ressalta que a tecnologia deve ser vista como um suporte. A discussão foca na necessidade de uma educação de base sólida, que forneça ao aluno o discernimento necessário para utilizar as ferramentas digitais de forma crítica e estratégica, garantindo que a inovação resulte em produtividade real no campo.
O Parque Tecnológico de Piracicaba: atração de talentos e startups
Piracicaba consolidou-se como o “Vale do Silício do Agro”, e o Parque Tecnológico de Piracicaba desempenha um papel central nessa conquista. Sonoda explica como esse ambiente favorece a atração de talentos e o fomento de startups, criando uma simbiose entre academia e mercado. A proximidade entre pesquisadores e empreendedores permite que as inovações educacionais do Pecege sejam testadas e aplicadas rapidamente nos desafios das empresas do setor.
Esse ecossistema não apenas gera novas tecnologias, mas também forma os líderes que irão operá-las. A integração entre ensino de ponta e infraestrutura de inovação garante que o agronegócio brasileiro continue sendo um exportador global de inteligência e soluções sustentáveis.
Valores e princípios: o diferencial do profissional do futuro
Em um mundo cada vez mais automatizado, Daniel Sonoda traz uma reflexão fundamental: a tecnologia é vital, mas não é o único diferencial. Para ele, o profissional do futuro será definido por seus princípios e valores. Em um setor baseado em confiança e relacionamentos, como o agro, a ética, a resiliência e a capacidade de colaboração humana tornam-se competências tão valiosas quanto o domínio de um algoritmo.
A visão de Sonoda para a educação no Brasil é a de um modelo que equilibra a alta performance técnica com a formação humana. Ao dominar a IA e os dados sem perder de vista os fundamentos éticos, o profissional do agronegócio estará preparado para liderar uma indústria que é, ao mesmo tempo, tecnológica e essencialmente humana.
A interseção que move o Brasil
A conversa com Daniel Sonoda mostra que a interseção entre educação, inovação e agronegócio é o que mantém o Brasil na liderança mundial. O Pecege prova que é possível escalar o ensino de qualidade através da tecnologia, mantendo a excelência acadêmica e a relevância prática.
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About The Author
Ana Luiza
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Ana Luiza é graduanda em Administração na ESALQ-USP e atualmente integra a equipe da Rural, atuando como estagiária em Research e Conteúdo. Sua rotina envolve a curadoria de notícias, produção de relatórios e desenvolvimento de conteúdos sobre inovação no setor do agronegócio.
Ao longo da graduação, Ana Luiza teve experiências que reforçam sua afinidade com o agronegócio e a análise estratégica. Atuou no CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), com foco na análise de mercado. Fez parte do grupo de extensão MarkEsalq, onde trabalhou com marketing e dados de engajamento nas redes sociais. E além disso, também integrou a EJEA (Empresa Júnior de Economia e Administração da ESALQ-USP), atuando com clima organizacional.
Motivada por aprender, se desafiar e gerar impacto, Ana Luiza acredita que a troca entre pessoas, conhecimento e propósito é o que transforma ideias em soluções.









