A sustentabilidade no agronegócio deixou de ser um conceito abstrato para se tornar uma métrica de mercado. Neste episódio do Agro Resenha Podcast, Eduardo Trevisan, Diretor do Imaflora, traz uma visão prática e equilibrada sobre como o Brasil tem liderado a agenda de agricultura regenerativa, muitas vezes implementando técnicas de conservação muito antes de elas ganharem os “rótulos” modernos exigidos pelo mercado internacional.
Do manejo de solo à agricultura regenerativa
Eduardo Trevisan destaca que o produtor brasileiro já pratica a regeneração do solo há décadas através de técnicas consolidadas, como o Plantio Direto. O desafio atual não é apenas fazer, mas conseguir traduzir essas práticas para critérios que o mercado global entenda e valorize. A agricultura regenerativa foca em restaurar a saúde do solo, aumentar a biodiversidade e melhorar o ciclo da água, elementos que são intrínsecos à produtividade a longo prazo.
A conversa explora como o manejo biológico e a integração de sistemas (como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta) são os pilares que sustentam essa evolução. Para Trevisan, a agricultura regenerativa não é um retorno ao passado, mas o uso da ciência avançada para trabalhar a favor dos processos naturais, garantindo que o solo seja um ativo cada vez mais fértil.
Pressão internacional e os desafios da narrativa
Um dos pontos centrais do debate é a pressão externa, especialmente da Europa, por critérios rigorosos de sustentabilidade. Eduardo discute o dilema: o Brasil possui uma das legislações ambientais mais rígidas do mundo, mas falha em comunicar essa realidade. Existe um “gap” entre o que acontece no talhão e como isso é percebido em Bruxelas ou Nova York.
O papel do Imaflora e de outras instituições é construir pontes e métricas confiáveis. Trevisan argumenta que a comunicação do agro precisa ser baseada em dados e transparência, combatendo o preconceito com evidências científicas. O desafio é transformar a responsabilidade ambiental em um diferencial competitivo que destrave melhores preços e acesso a mercados premium.
Decisões e dilemas: Quem produz vs. Quem legisla
A trajetória de Eduardo permite uma reflexão sobre os dilemas enfrentados por quem está na ponta da produção. Muitas vezes, os critérios criados em escritórios urbanos não levam em conta a complexidade biológica e climática do campo. O episódio aborda a necessidade de aproximar quem constrói as narrativas de quem realmente enfrenta os riscos da safra.
A agricultura sustentável exige decisões financeiras difíceis. Eduardo enfatiza que a sustentabilidade só é perene se for economicamente viável. Portanto, criar mecanismos que remunerem o produtor por serviços ambientais — como o crédito de carbono ou bônus por preservação — é fundamental para que a agricultura regenerativa ganhe escala e continue sendo o motor da economia brasileira.
O agro brasileiro como solução global
A conversa com Eduardo Trevisan reforça que o Brasil não deve apenas reagir às pressões, mas liderar a narrativa global sobre sustentabilidade tropical. Ao unir produtividade recorde com regeneração do solo, o país se posiciona não como o problema, mas como a principal solução para a segurança alimentar e climática do planeta.
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About The Author
Ana Luiza
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Ana Luiza é graduanda em Administração na ESALQ-USP e atualmente integra a equipe da Rural, atuando como estagiária em Research e Conteúdo. Sua rotina envolve a curadoria de notícias, produção de relatórios e desenvolvimento de conteúdos sobre inovação no setor do agronegócio.
Ao longo da graduação, Ana Luiza teve experiências que reforçam sua afinidade com o agronegócio e a análise estratégica. Atuou no CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), com foco na análise de mercado. Fez parte do grupo de extensão MarkEsalq, onde trabalhou com marketing e dados de engajamento nas redes sociais. E além disso, também integrou a EJEA (Empresa Júnior de Economia e Administração da ESALQ-USP), atuando com clima organizacional.
Motivada por aprender, se desafiar e gerar impacto, Ana Luiza acredita que a troca entre pessoas, conhecimento e propósito é o que transforma ideias em soluções.









