#RW04 Agronegócio na COP30 com Sibele Kamphorst

Rural Women Podcast - Episódio 04 - Agronegócio na COP30 com Sibele Kamphorst

Neste episódio do Rural Women Podcast, Sibele Kamphorst, Líder de Relações Institucionais e Governamentais (RIG) da Syngenta Brasil, trouxe uma análise detalhada sobre o papel estratégico do agronegócio brasileiro na COP30, que será realizada em Belém. Com vasta experiência na construção de pontes entre os setores público e privado, Sibele posiciona o agro como protagonista da agenda climática e destaca a oportunidade única do Brasil de transformar sua liderança em agricultura tropical em uma referência mundial de sustentabilidade. A participação na COP visa, sobretudo, furar a bolha da comunicação e mostrar que o país já alia produtividade e preservação através de ciência e inovação.

O Protagonismo Brasileiro e a Agenda Climática na COP30

O Brasil tem a chance de usar a COP30 como uma vitrine para desmistificar a imagem de “vilão” ambiental e demonstrar sua contribuição única para o clima. Segundo Sibele, a agricultura tropical já pratica sistemas regenerativos e de baixo carbono há décadas, como o plantio direto, que permite várias safras anuais, algo impossível na agricultura temperada. A discussão na COP não é apenas sobre o futuro, mas sobre reconhecer as práticas diárias e os mecanismos de controle existentes, como o Código Florestal, que impõe restrições importantes ao produtor, algo incomum em outros setores.

O objetivo da delegação do agro é mostrar que o produtor rural é o principal interessado e locomotor da sustentabilidade, pois tem seu negócio “a céu aberto” e sofre diretamente com as mudanças climáticas adversas. A pauta central é calibrar as métricas e reportes climáticos globais para que reconheçam e reflitam a realidade da agricultura tropical regenerativa e a capacidade única do solo brasileiro de captura de carbono.

Relações Institucionais e Parcerias para a Sustentabilidade

A área de Relações Institucionais e Governamentais (RIG) assume um papel vital nessa agenda. Sibele enfatiza que o trabalho de RIG é criar cenários perenes e sustentáveis para que as empresas continuem operando, independentemente do cenário político. Nesse contexto, a área atua como uma ponte que leva as mensagens e a realidade do campo para os stakeholders de governo e instituições.

A agenda climática só avança com a união entre os setores. A Syngenta, por exemplo, atua em parcerias público-privadas para demonstrar resultados mensuráveis. A comunicação, vista por Sibele como a inovação crucial para os próximos anos, é fundamental para que as entregas das empresas sejam conectadas às propostas e metas do governo, como o Plano Clima, e comunicadas continuamente para a sociedade.

Programa Reverte: Da Degradação à Produtividade

O grande destaque da Syngenta na COP é o Programa Reverte, seu carro-chefe em agricultura regenerativa. O programa visa recuperar áreas que estão em nível de degradação, mas que ainda possuem aptidão agrícola, transformando-as em áreas agriculturáveis sem a necessidade de abrir novas áreas de plantio.

O Programa Reverte demonstra a integração entre impacto ambiental e produtividade por meio de grandes parcerias:

  • Resultados: Já possui 277 mil hectares em recuperação.
  • Financiamento: Conta com R$ 2 bilhões empenhados em financiamento junto ao Itaú para apoiar os produtores nesse processo de transição.
  • Apoio Técnico: A Syngenta entra com o acompanhamento agronômico e técnico, enquanto parceiros como a TNC (The Nature Conservancy) colaboram com a agenda de conservação.

Comunicação e Oportunidades Pós-COP

A presença do agro em fóruns como a AgriZone (onde a Syngenta terá um painel sobre o Reverte) e a Blue Zone (com a CNI, debatendo a Agricultura Tropical Regenerativa) é essencial para apresentar estudos e cases de mitigação. No entanto, o maior desafio, segundo Sibele, é furar a bolha e levar a comunicação do agro para o público que não vive o dia a dia do campo.

A grande oportunidade do Brasil reside no fato de que, a partir de novembro, o país assume a Presidência da COP por um ano. Esse período deve ser usado para promover fóruns e eventos contínuos, garantindo que o posicionamento de liderança em sustentabilidade e eficiência da agricultura tropical seja comunicado de forma perene ao mundo, sendo um orgulho para a população brasileira.

Sibele reconheceu ainda que a situação geopolítica global e a dificuldade dos países em cumprir seus compromissos (NDCs) são desafios que interferem diretamente no apetite por investimento e no avanço da agenda climática. No entanto, ela reforça que a força das mulheres, mães e profissionais no agronegócio é uma inspiração para as próximas gerações, que devem manter a representatividade feminina em fóruns de tomada de decisão.

Confira o episódio completo no Spotify ou YouTube:

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