#RT164: Quem vai ganhar margem com a safra de dados em 2026?

#RT164: Quem vai ganhar margem com a safra de dados em 2026? - André Fukugauti

No agronegócio, a tecnologia sozinha não paga a conta. Ela só se transforma em produtividade real quando as pessoas e as rotinas de decisão estão devidamente alinhadas. Neste episódio, conversamos com André Fukugauti, da Bayer, sobre os pilares que sustentam a verdadeira transformação digital no campo. Discutimos como a sucessão familiar, a governança de dados e a confiança são os elementos fundamentais para transformar pilhas de informação em margem de lucro, acesso a crédito e decisões assertivas.

O Novo Perfil do Gestor e o Desafio do Manejo de Gestão

A mudança geracional no campo está formando um novo perfil de gestor, mais conectado e dependente de dados para decidir com rapidez. André Fukugauti destaca que o desafio atual não é a falta de informação, mas como usá-la sem travar no excesso de dados. O sucesso reside em transformar o dado bruto no que chamamos de “manejo de gestão”: uma rotina com disciplina e governança que evita a criação de ilhas de tecnologia e o retrabalho, garantindo que a informação flua por toda a operação.

Nesse contexto, a tecnologia deve servir ao processo, e não o contrário. Quando a fazenda estabelece processos claros de coleta e análise, ela foge da armadilha de adotar ferramentas isoladas que não se conversam. A governança de dados permite que o gestor tenha uma visão sistêmica, onde cada bit de informação contribui para a eficiência operacional e para a saúde financeira do negócio.

Tecnologia com Propósito e o Papel Crítico da Padronização

A Inteligência Artificial (IA) é uma das grandes promessas para a fazenda moderna, mas André faz um alerta importante: sem dados padronizados, a IA mais atrapalha do que ajuda. Para que os algoritmos entreguem recomendações precisas, a base de dados precisa ser confiável e uniforme. Quando bem aplicada, a tecnologia ajuda a fechar o “gap agro” — aquela distância histórica entre o departamento financeiro e o agronômico —, transformando o dado na linguagem comum que une o campo, o banco e a seguradora.

Essa padronização é o que permite que a informação saia da porteira e gere benefícios concretos. Quando os dados são organizados, eles facilitam a vida do produtor na hora de buscar seguro ou financiamento. A linguagem técnica da agronomia passa a ser traduzida em indicadores financeiros que os analistas de crédito compreendem, reduzindo as fricções e aumentando a segurança de todas as partes envolvidas.

O Destravador Invisível: Confiança e Benefício Concreto

O compartilhamento de dados ainda é um tabu para muitos, mas André aponta que o grande “destravador invisível” desse processo é a confiança. O produtor só aceita compartilhar suas informações quando percebe um benefício claro e imediato. Isso se manifesta em taxas de juros mais baixas, limites de crédito ampliados ou recomendações agronômicas muito mais precisas e personalizadas para a sua realidade micro-regional.

Em 2026, a “safra de dados” definirá quem terá o melhor acesso ao mercado. Aqueles que entenderem que o dado é um ativo valioso — e que sua organização constrói um histórico de transparência — estarão em uma posição de vantagem competitiva. A tecnologia, aliada à governança e à confiança, deixa de ser um custo para se tornar a ferramenta que garante a longevidade e a eficiência da empresa rural.

A Decisão Baseada em Evidências

A conversa com André Fukugauti deixa claro que o agro digital é, acima de tudo, uma jornada de gestão humana. O futuro pertence ao gestor que consegue unir o feeling do campo com a precisão dos dados, criando processos que transformam tecnologia em rentabilidade.

Confira o episódio completo no Spotify ou YouTube:

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