O relatório BZCP – Tendências de M&A 2025 revela um cenário de consolidação e estratégia no mercado brasileiro. Depois da euforia de 2021 e da retração de 2022–2023, as fusões e aquisições entraram em uma nova fase: menos volume, mais valor e inteligência contratual.
Esse movimento traz lições diretas para o agronegócio, especialmente para quem atua em inovação, tecnologia e sustentabilidade.
Tendências de M&A: Menos volume, mais valor
O Brasil registrou em 2024 894 operações (-14,8%), movimentando R$ 153 bilhões (+13,5%). O mercado ficou mais seletivo, priorizando negócios sólidos, com governança, compliance e previsibilidade financeira.
Para as empresas do agro e as agtechs, o recado é claro: crescer com propósito e estratégia vale mais do que multiplicar rodadas de investimento sem tração real.
O retorno do “cash is king”
Mais de 80% dos deals foram pagos em dinheiro, enquanto equity e earn-outs perderam espaço. Em um ambiente de juros altos, o investidor quer liquidez imediata e segurança.
No agronegócio, essa tendência pode se traduzir em negócios diretos e pragmáticos, especialmente em fusões entre cooperativas, agroindústrias e startups que buscam expansão.
Contratos mais inteligentes, menos garantias
Os mecanismos tradicionais de retenção, escrow e holdback, praticamente desapareceram. Agora, o foco é em cláusulas contratuais robustas e covenants bem estruturados.
Com menos garantias financeiras, cresce a importância da due diligence detalhada e da transparência documental. Para as agtechs, isso significa estar juridicamente preparada desde o dia um.
IA como diferencial de valor
A presença de Inteligência Artificial nos deals quintuplicou, saltando para 23% das operações em 2024. Targets com IA embarcada ganharam destaque em tecnologia, fintech e saúde.
No agro, agtechs que aplicam IA em previsão climática, manejo de insumos, rastreabilidade e crédito rural se tornam mais atrativas — desde que demonstrem governança de dados e clareza sobre propriedade intelectual.
Novos marcos legais redesenham as negociações
A Reforma Tributária (CBS/IBS), a Lei das Offshores e o Projeto de Lei da IA impactam diretamente o desenho e a precificação das transações.
Esses marcos exigem planejamento jurídico e fiscal estratégico, principalmente para empresas internacionalizadas ou que operam com dados, carbono e tecnologia.
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“Special Situations”: a nova janela de oportunidades
Com juros altos e ativos reprecificados, o mercado abre espaço para investidores especializados em turnaround — comprando empresas em crise com potencial de recuperação.
No agro, isso pode significar reorganizações em agroindústrias, cooperativas e startups com teses sustentáveis, inovadoras e voltadas à eficiência produtiva.
O recado final
O novo ciclo de M&A valoriza previsibilidade, liquidez e inteligência jurídica. Negócios simples, contratos sólidos e entregas rápidas ganham protagonismo.
Para o agronegócio, é hora de unir inovação e governança, preparando as empresas para atrair investimentos e participar de uma era de consolidação mais madura e global.
O futuro dos deals será seletivo, digital e estratégico. E o agro brasileiro, com sua força real e tecnológica, está pronto para liderar esse movimento.
About The Author
Juh Chini
administrator
Juliana Chini é Economista pela Esalq-USP e Mestre em Gestão Internacional pela ESPM, com mais de 15 anos de experiência impulsionando a inovação no setor de alimentos e agronegócios. Trabalhou em corporações, startups e é fundadora do Blog da Carne e da Newsletter Sementis. Como Sócia e Head da Rural Insights, conecta startups, corporações, produtores e o ecossistema de inovação da Rural, além de produzir e disseminar conhecimento e tendências no agro. Mulher, sonhadora, trabalha pelo agro mais inovador, inclusivo e sustentável.
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