Deeptech Radar 2025: O Brasil no epicentro da inovação em agro, clima e alimentos

O recém-lançado relatório Deeptech Radar 2025 da Emerge traz um retrato revelador sobre o estágio atual e o potencial das deeptechs brasileiras. O estudo mapeou 952 startups de base científica e tecnológica, consolidando o Brasil com o maior número de deeptechs na América Latina, mas enfrenta desafios para atrair investimento privado suficiente para competir globalmente.

Entre os principais insights, alguns pontos merecem destaque:

  • Concentração em setores estratégicos – Quase 66% das deeptechs nacionais estão em Saúde e Bem-estar (36%) e Agro e Alimentos (27%) . Essa presença reforça tanto a vocação histórica do país nessas áreas quanto a urgência de soluções ligadas à segurança alimentar, produtividade agrícola e sustentabilidade.
Fonte: DeepTech Radar 2025
  • Força da biotecnologia – A biotecnologia lidera como base tecnológica, com 433 startups, seguida por IA & Computação (216) e Materiais Avançados & Nanotecnologia (176) . Essa dominância reflete a capacidade brasileira de transformar biodiversidade em inovação aplicada ao agronegócio e ao setor de alimentos.
Fonte: DeepTech Radar 2025
  • Clima e energia como agenda emergente – Embora ainda menor em número absoluto, o setor de Energia & Clima reúne 181 deeptechs e se destaca pela diversidade tecnológica, especialmente em materiais avançados e inteligência artificial, alinhando-se à transição energética e à necessidade de mitigação dos impactos ambientais .
  • Desafios de investimento – Apesar do crescimento, cerca de 30% das startups receberam menos de R$ 200 mil em aporte. O ecossistema segue fortemente dependente de recursos públicos, sendo FAPESP, FINEP e Sebrae responsáveis por 51% do financiamento . Esse cenário mostra a urgência de ampliar a participação do capital privado e atrair fundos globais.
Fonte: DeepTech Radar (2025)

O impacto para o agro e os alimentos

O setor agroalimentar aparece como espinha dorsal do ecossistema deeptech brasileiro. Startups estão desenvolvendo desde biofertilizantes e biomateriais sustentáveis, como no caso da growPack, até soluções de biofabricação de alimentos e agricultura biológica, com potencial de reposicionar o Brasil na liderança global de inovação para cadeias produtivas sustentáveis.

Essas iniciativas não apenas respondem à demanda por maior produtividade com menor impacto ambiental, mas também conectam inovação à agenda climática, trazendo alternativas regenerativas, redução de emissões e rastreabilidade via blockchain.

Um novo ciclo de diversificação

Se por um lado a concentração em saúde e agro oferece vantagens competitivas, por outro pode limitar o ecossistema. O relatório sugere que a próxima onda de inovação dependerá da diversificação, expandindo fronteiras em energia limpa, cidades inteligentes e manufatura avançada .

Conclusão

O Deeptech Radar 2025 confirma que o Brasil tem uma posição única: combinar ciência de ponta, biodiversidade e a força do agronegócio para gerar soluções que respondam a dois dos maiores desafios globais, alimentação e clima.

Oportunidade e risco caminham juntos: ou o país consolida sua liderança em agtechs e climate techs, atraindo investimento global e fortalecendo sua base de talentos, ou corre o risco de depender excessivamente de setores tradicionais sem avançar em novas fronteiras.

Acesse aqui o relatório completo: https://emergebrasil.in/inscricao-panorama-deep-techs-2025/

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