#165 Da porteira pra dentro: como os dados mudam a pecuária

#165 Da porteira pra dentro como os dados mudam a pecuária

No setor pecuário, a tecnologia é frequentemente confundida com a compra de equipamentos, mas André Mussio, Country Manager da Gallagher no Brasil, esclarece que o verdadeiro divisor de águas é a mudança de cultura e a implementação de rotinas. Neste episódio, discutimos como a transição da “operação no escuro” para a gestão baseada em dados reais está definindo a sobrevivência das propriedades. A conversa revela que a tecnologia, quando bem aplicada, não é um custo, mas a ferramenta que permite ao pecuarista enxergar o lucro que estava escondido dentro da própria fazenda.

O Gap da Gestão: Quem Opera com Dados vs. Quem Opera no Escuro

André Mussio enfatiza que o primeiro passo para a transformação digital não exige grandes investimentos financeiros, mas sim a disciplina de coletar e organizar informações. O “gap” entre as fazendas lucrativas e as demais não está na falta de ferramentas, mas na ausência de uma rotina de dados. Quando o produtor começa a pesar o gado com frequência e a medir o consumo de pasto, ele deixa de tomar decisões por intuição e passa a agir com base em evidências, o que impacta diretamente na valorização do ativo: hoje, a organização dos dados decide até quem consegue vender ou comprar uma fazenda por um preço justo.

Nesse cenário, a tecnologia atua como um braço direito da gestão. André destaca que, ao contrário do medo comum, a inovação no campo não serve para demitir funcionários, mas para retê-los. Ao substituir o trabalho braçal e repetitivo por processos inteligentes e precisos, a fazenda se torna um ambiente mais atrativo e menos desgastante, valorizando o colaborador que agora opera sistemas e analisa resultados, em vez de apenas executar tarefas exaustivas.

Rastreabilidade e a Alavanca de Margem na Prática

A rastreabilidade é frequentemente vista como uma obrigação burocrática ou um custo adicional, mas Mussio subverte essa lógica. Ele demonstra, por meio de casos reais, que a rastreabilidade é uma alavanca de margem. Ao identificar individualmente cada animal, o produtor consegue eliminar o “efeito média” e descobrir quais indivíduos são realmente eficientes. Isso permite um descarte seletivo e um manejo nutricional cirúrgico, transformando o que seria um gasto de conformidade em uma estratégia de ganho genético e financeiro.

Esses conceitos são ilustrados por exemplos que cruzam o Brasil: desde o pecuarista tradicional no Rio Grande do Sul até o produtor em Roraima que buscou a tecnologia antes mesmo da estrutura física da empresa chegar à região. Esses casos mostram que a necessidade de eficiência é universal e que a tecnologia da Gallagher, com a bagagem de precisão da Nova Zelândia, encontrou no Brasil um solo fértil para se adaptar à escala e aos desafios tropicais, criando um intercâmbio de aprendizado onde a simplicidade neozelandesa encontra a robustez brasileira.

O Legado da Nova Zelândia e a Adaptação Brasileira

A experiência da Gallagher trazida da Nova Zelândia ensinou ao mercado brasileiro a importância da cerca elétrica e da pesagem eletrônica como fundamentos de produtividade. No entanto, André pontua que o Brasil também ensinou de volta, especialmente sobre como gerir grandes rebanhos em condições climáticas diversas. A tecnologia de ponta só entrega valor quando respeita a realidade local e o comportamento animal, garantindo que o manejo seja fluido e que o dado coletado no curral se transforme em dinheiro no bolso do produtor.

A Decisão Pelo Resultado

A conversa com André Mussio deixa claro que a pecuária do futuro não tem espaço para o amadorismo. O sucesso pertence ao gestor que entende que a tecnologia é o meio, mas o dado é o fim. Ao adotar processos claros e ferramentas de monitoramento, o pecuarista deixa de ser um sobrevivente do mercado para se tornar um estrategista da produção de proteína, garantindo a longevidade e a rentabilidade do seu negócio em qualquer cenário.

Confira o episódio completo no Spotify ou YouTube:

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