Conheça o Fundador: José Damico da Scicrop

José Damico da Scicrop

José Damico não começou no agronegócio. Longe disso. Formado em Engenharia e com uma sólida carreira na área de tecnologia voltada ao setor financeiro, Damico parecia destinado a seguir um caminho tradicional entre grandes bancos e corporações de software. Mas algo em sua trajetória indicava que ele buscava mais — não apenas resultados financeiros, mas impacto real.

Sua experiência na Infoserve, onde desenvolveu soluções para bancos e viveu a experiência de uma aquisição pela gigante indiana Wipro, e depois na IBM, contribuindo com os primeiros produtos de analytics no Brasil, moldaram sua visão sobre o papel dos dados e da tecnologia na tomada de decisão. Mas foi justamente essa bagagem que o levou a um ponto de inflexão: e se todo esse conhecimento pudesse ser aplicado em um setor essencial como o agronegócio?

Essa inquietação o conduziu à fundação da SciCrop, uma agtech brasileira com uma missão ambiciosa: ajudar empresas do agro a organizarem seus dados e extraírem valor estratégico a partir deles, promovendo decisões mais rápidas, eficientes e sustentáveis. Em um episódio recente do podcast Rural Talks, Damico compartilhou sua trajetória e a visão que o levou a trocar os códigos dos bancos pela terra fértil da inovação agrícola.

A origem de uma ideia: o agro como novo fronteira tecnológica

Ao mergulhar no universo agro, Damico percebeu algo claro: o setor clamava por tecnologia, mas não qualquer tecnologia. A dificuldade não estava na falta de dados, mas sim na sua desorganização, baixa frequência de atualização e pouca integração entre áreas e sistemas. Era o cenário perfeito para quem tem experiência em dados e inteligência artificial, mas também sensibilidade para escutar o mercado.

“A SciCrop nasceu para resolver a dor de empresas que precisam tomar decisões, mas não têm as informações certas, no tempo certo”, explica Damico. Ele compara a empresa ao Google — não por ser um buscador, mas por tornar acessíveis, legíveis e acionáveis informações que estavam desconectadas, escondidas ou desestruturadas.

Uma plataforma para conectar tudo (e todos)

Mais do que uma empresa de software, a SciCrop se posiciona como uma plataforma de integração. Sua proposta é conectar fontes diversas de dados — de sensores a ERPs, passando por sistemas legados — e transformá-las em respostas práticas por meio de modelos de inteligência artificial treinados com conhecimento específico do agro. Trata-se, segundo Damico, de construir um “OpenAI do agronegócio”.

Mas a tecnologia, por si só, não basta. Um dos grandes diferenciais da SciCrop está em sua filosofia de desenvolvimento centrada no usuário. Inspirado por sua experiência com Design Thinking na Universidade de Berkeley, Damico insiste na importância de entender o comportamento humano, escutar o cliente e adaptar a solução à realidade da fazenda ou da corporação agrícola. “Se a solução não entrega um benefício claro para quem está na ponta, ela não se sustenta”, afirma.

Humildade para ouvir, inteligência para adaptar

Um dos maiores aprendizados da jornada de Damico como empreendedor foi reconhecer que, para inovar no agro, é preciso mais do que boas ideias: é necessário ouvir. “Empurrar soluções técnicas de cima para baixo não funciona. Aprendemos a ser flexíveis e nos integrar ao que o cliente já usa. A SciCrop precisa ser uma aliada da TI, e não um agente de ruptura”, ressalta.

Essa abordagem colaborativa levou a empresa a desenvolver soluções que respeitam os sistemas já existentes nas corporações — como Excel, Power BI e ERPs agrícolas —, mas que também abrem portas para novos modelos baseados em inteligência artificial e análise preditiva.

Os próximos passos: captação, expansão e colaboração

Hoje, a SciCrop se prepara para uma nova fase de crescimento. Recentemente, anunciou uma nova captação de investimentos com a Rural para acelerar o desenvolvimento da plataforma, expandir integrações com outras tecnologias e promover o uso de IA no campo brasileiro.

Além disso, a agtech está explorando modelos seguros de compartilhamento de dados entre empresas do setor, com o objetivo de criar uma espécie de “câmara de dados do agro” — um espaço colaborativo que permita análises agregadas, mantendo a confidencialidade e respeitando a concorrência.

Um propósito maior

Para Damico, o sucesso da SciCrop vai além do faturamento. “Nosso objetivo é criar produtos que facilitem a vida das pessoas e gerem valor para as empresas, mas também distribuir essa riqueza em forma de conhecimento”, destaca. Ele acredita que o Brasil, com sua força agroambiental e talento técnico, tem o dever de liderar não só em produtividade, mas também em inovação sustentável.

A história de José Damico é um retrato do novo agro brasileiro — um setor que valoriza raízes profundas, mas que cresce com base em dados, tecnologia e, acima de tudo, propósito.


Sobre a SciCrop
A SciCrop é uma empresa brasileira de tecnologia especializada em soluções de integração de dados e inteligência artificial para o agronegócio. Atua com grandes corporações do setor, promovendo a transformação digital por meio de uma plataforma que conecta sistemas diversos e traduz dados em decisões estratégicas.

Infinite Stack Scicrop
Fonte: Scicrop

Investida da Rural Ventures, recentemente lançou o Infinite Stack, que organiza e integra os dados fazendo com que uma plataforma “converse com a outra”. Saiba mais: https://infinitestack.ai/


José Damico no Rural Talks

Confira a participação do Damico no Rural Talks:

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