Conheça a Fundadora: Paula Mendes Caldeira da Guarda

Com uma carreira que começou nos bastidores das grandes decisões financeiras, Paula Mendes Caldeira hoje ocupa um novo lugar: ao lado do produtor rural, usando tecnologia e inteligência climática para transformar a maneira como o Brasil lida com risco no agro. Essa transição, que parece improvável à primeira vista, é o reflexo de uma jornada movida por duas paixões que sempre caminharam com ela: finanças e sustentabilidade.

Do mercado financeiro à fundação da Plugify

Formada em Economia pelo Insper, Paula trilhou o que muitos chamariam de caminho tradicional: passou por grandes nomes como BTG, Bank of America e Moelis & Company. Mas, foi em 2017, ao lado do sócio Alexandre Gotthilf, que deu o salto para o empreendedorismo ao cofundar a Plugify — uma startup que nasceu para reinventar a forma como empresas contratam tecnologia.

A proposta era simples, mas ambiciosa: transformar o hardware em serviço. Ou seja, permitir que empresas alugassem notebooks, celulares e outros equipamentos com gestão integrada e suporte completo, em vez de comprá-los. No papel de CFO, Paula foi peça-chave na construção de um modelo financeiro escalável e inovador, apostando em caminhos pouco convencionais para startups, como captação via dívida estruturada e criação de um FIDC próprio.

“Desde o início, pensamos em como crescer sem perder o controle da empresa. A dívida bem estruturada nos deu essa liberdade”, explicou Paula em entrevistas.

A estratégia deu certo. Em poucos anos, a Plugify triplicou sua receita, dobrou o time e ganhou tração nacional. Foram mais de R$ 120 milhões captados junto a investidores como Angá, Augme e XP, consolidando a empresa como uma das referências em HaaS (hardware as a service) no Brasil.

A virada de chave: propósito, agro e clima

Em 2023, depois de cinco anos intensos na Plugify, Paula decidiu virar a chave. Permaneceu como acionista, mas saiu da operação para ouvir um chamado mais profundo: o desejo de atuar diretamente com impacto socioambiental. Foi quando nasceu a Natu Seguros, uma startup que une tecnologia de ponta com um dos setores mais estratégicos do Brasil: o agronegócio.

Na Natu, Paula voltou a empreender, desta vez no universo do seguro paramétrico. A ideia é substituir processos lentos e burocráticos por apólices automatizadas que usam dados climáticos (vindos de satélites como NASA e ESA), machine learning e inteligência artificial para proteger produtores contra perdas provocadas por clima — seca, excesso de chuva, geadas e outros eventos extremos.

“Queremos dar ao produtor a tranquilidade de saber que, se algo acontecer, ele não vai precisar provar nada nem enfrentar uma fila de análise. A indenização vem automaticamente, com base em dados confiáveis e transparentes”, afirmou em entrevista recente.

Mais que tecnologia, a proposta da Natu carrega uma missão: ajudar o campo a se adaptar às mudanças climáticas com mais resiliência, previsibilidade e justiça. A Natu já ganhou um rebranding e agora é Guarda, no sentido de proteger o produtor e suas respectivas lavouras.

Fonte: Guarda

O que fica da jornada

Em um post emocionante, Paula anunciou sua saída da Plugify dizendo que aquela empresa sempre será “um pedaço dela”. Mas deixou claro que, mesmo após os milhões captados e os marcos conquistados, o que mais marcou sua trajetória foram os momentos humanos: as noites viradas, as conversas difíceis, a construção de um time que acreditava no impossível.

Hoje, conciliando o papel de cofundadora da Natu com estudos em sustentabilidade em Harvard, Paula reafirma o que move seu empreendedorismo: a vontade de transformar realidades com estratégia, tecnologia e coração.

Se antes ela olhava para grandes números, agora Paula foca no impacto direto na vida de quem está no campo. E mostra que é possível sim unir performance e propósito — sem abrir mão de nenhum dos dois.

🔎 Paula Mendes Caldeira, economista, empreendedora e estrategista em finanças climáticas. Ex-CFO da Plugify, cofundadora da Natu Seguros. Apaixonada por sustentabilidade e inovação no agro.

Confira a entrevista da Paula para o Rural Talks:

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